FEDERAÇÃO INSPETORIAL DOS EX-ALUNOS E EX-ALUNAS DE DOM BOSCO
Inspetoria São João Bosco - Belo Horizonte - MG

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SEGUNDO CONGRESSO INSPETORIAL DE EX-ALUNOS E EX-ALUNAS

Inspetoria São João Bosco

Os textos estudados como preparação para o IIº Congresso Inspetorial e discutidos durante o evento são atuais e compensa continuarem aqui apresentados para subsidiar as refelexões do Grupo nos momentos de formação.

Assim, para se cumprirem as metas propostas pela Carta do Segundo Congresso, se faz mister debruçar constantemente sobre esses temas para a melhor compreensão da identidade e missão dos Ex-Aluns e Ex-Alunas de Dom Bosco.

SUBSÍDIO I - O Ex-Aluno e a Ex-Aluna de Dom Bosco

Seu compromisso hoje na Sociedade e na Igreja.

Intervenção do Reitor Mor Centenário da Confederação dos Antigos Alunos e Antigas Alunas de Dom Bosco
[site exaluno.org.br/confed. mundial]

Carlos Drummond de Andrade (Antologia poética, Record, 2005. p. 158), tem uma belíssima poesia, sob o título "Mãos dadas".
Começa expressando-se assim: "Não serei o poeta de um mundo caduco./ Também não cantarei o mundo futuro./ Estou preso à vida e olho meus companheiros..." e termina: "O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes."

Penso que o encontro dos ex-alunos de Dom Bosco, que está em programação para abril de 2013, pode avançar na perspectiva dessa proposta de Drummond. Não se trata de reunir para chorar um mundo, que já caducou. Nem de sonhar, meio fantasticamente, futuro róseo, que nos console das agruras do hoje, complexo, complicado, em crise. Trata-se, isto sim, de comprometermo-nos com o tempo presente, os homens presentes. Uma tarefa concreta.

A grande pergunta, expressa de maneiras diversas, e a grande tarefa é: como estamos construindo nossas vidas e nosso mundo (realidades intrinsecamente interligadas, interdependentes) no hoje, no tempo, que é a nossa chance?
O que nos move a esperar em meio aos desafios, que nos tornam taciturnos? Esperamos ainda algo?

Em suma, que tipo de SERES HUMANOS nos sentimos?
Gostaria de partilhar com vocês algumas reflexões a respeito.

Primeira reflexão: a mística da "temporalidade".

A cultura ocidental, marcada pelas raízes greco-romano-cristãs foi levada a interpretar vida no tempo, na história, no espaço da terra como peregrinação para... um depois, que é consumação, perfeição, sentido pleno, valor absoluto, vida em plenitude, inteligibilidade ou racionalidade realizada.

Não se trata de negar a possibilidade de encarar (crer, esperar) essa dimensão da vida. O que, porém, vai se tornando cada vez mais evidente é o risco de uma interpretação afoita e, digamos, preguiçosa dessa perspectiva, matar o desdobramento concreto da experiência do humano, única capaz de engrandecer e libertar o homem, levá-lo a uma vida de adulto, responsável pela própria história e pela própria salvação.

Não se trata, por outro lado, de utopias humanistas, que façam do homem umsemi-deus, todo poderoso, dominador de todas as forças, às quais ele imporia, no auge da sua liberdade, a racionalidade absoluta do existir e do processo histórico.

Trata-se muito mais de um convite para abrir-se às contingências, às ambigüidades que tecem a vida; dispor-se à paciência indispensável para se gerar no espaço e no tempo. A verdade, o bem, o belo, o valor, a fruição gozosa do existir, do caminhar histórico se geram, aqui e agora, no concreto dessa vida na terra; terra que é dom a ser cultivado, tarefa a ser realizada em mutirão. Ninguém é dono deste mundo, ninguém está dispensado dessa tarefa. Isso é que significa a eticidade da vida humana: reconhecer-se responsável por um dom que nos ultrapassa e por uma tarefa que nos liga, em rede e de maneira profunda, a todos os outros seres.

A poesia de Carlos Drummond é um apelo belíssimo a essa mística da "temporalidade", do "histórico", da "contemporaneidade", do "realismo" sem muitos choros pelo passado e sem muitos devaneios para o futuro. Interessa-nos o hoje. Ele é o nosso interesse.

O latim - língua que deu origem ao portugês - dá-nos a etimologia do termo "interesse": inter + esse. O hoje é o que está aí, está entre, dentro, experimentável em níveis profundos ou superficiais. '

Segunda reflexão: a mística da "motivação".

Para que nos convida o II Congresso Inspetorial em 2013?

Penso que é para partilharmos as experiências de nossas vidas, muito devedoras ao passado e impulsionadas ao futuro, mas que sobretudo devem ser muitíssimo inseridas no hoje da história humana.

Terceira reflexão: a mística da "identidade".

E quem é esse nós que questiona?

Quem é o Ex-Aluno e a Ex-Aluna?

Tiago Lara

Mãos dadas
Drumond

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.


Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é
a minha matéria,
o tempo presente,
os homens presentes,
a vida presente.

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SUBSÍDIO III - Ex-alunos de Dom Bosco

Parece claro o significado ou o sentido da expressão: ex-aluno de Dom Bosco. Parece claro, mas, quando começamos a pensar melhor, vemos que não é assim tão claro, uma vez que a expressão pode significar variadas situações de vida.

Primeira possibilidade:

Alguém alguma vez passou por um colégio ou instituição salesiana equivalente. Isso significou, porém, pouco ou até quase nada, para ele, ou porque ficou pouco tempo, era pequeno, não se adaptou e partiu para outra experiência de vida. Foi, pois, ele um dia aluno salesiano. Deixou, porém, essa situação sem impacto, sem marca importante. Perguntamos, então: é um ex-aluno? Em certo sentido, sim. Mas não estamos a pensar nessa situação, diríamos casual.

Segunda possibilidade:

Alguém teve grande parte da sua formação humana, em Colégio ou Obra salesiana. O que significa isso? Significa que há uma forma histórica de se realizar como ser humano. O homem é ser histórico, concreto, ligado a um espaço-tempo cultural (de cultivo) da sua humanidade. Não existem homens e mulheres abstratos, sem esta ou aquela forma historicamente vigente e que impacta, informa, forma, educa, constitui historicamente grupos humanos, diferentes culturalmente. Daí é que falamos de culturas diversas, humanismos diferentes (cristão, marxista, positivista), espiritualidades ou místicas variadas, que não têm nada de aéreo, mas que são forças bem concretas, geradoras de formas expressivas de viver. Há, pois, uma maneira salesiana de propor a vivência histórica humana.

A coisa é muito complexa. Essa forma salesiana insere-se, ou melhor, foi possível na cultura ocidental, de cunho cristão, e de um cristianismo configurado como se configurou em terras de tradição latina, romana, italiana, no século XIX e numa posição de desafio e de defesa, diante da Revolução Francesa, de fins do século XVIII. D. Bosco foi um cristão piemontês típico.

Quando nascemos, não nascemos num vazio cultural. Nascemos e somos educados em força de idéias, ideais, valores, sensibilidades, propostas concretas e institucionais de viver. Entramos num jogo de forças infinitas e antiquíssimas em ação. Temos de nos haver com elas. É o nosso destino. É a nossa tarefa existencial. Nossa vida, nossa maneira de ser vai resultar da nossa resposta a toda essa tradição.

Ela é uma maravilha, um horizonte fascinante, uma riqueza imensa, um abrigo fabuloso, que os gregos chamaram: o ethos de um povo. Mas é um ethos, uma tradição. Não é a totalidade das possibilidades humanas. Há outras maravilhas, outros abrigos, outros ethos.

E apesar da sensação predominante de que essa maravilha é eterna, pronta, perfeita, é abrigo definitivo, a vida vai nos mostrando que até as coisas mais fundamentais e mais sagradas dela podem (e quem sabe também devam) ser questionadas e, às vezes, revertidas ou trocadas. Daí a possibilidade de um ex-aluno, formado em Colégio Salesiano, que recebeu, portanto, a forma de viver salesiana, poder se encontrar, anos depois, em situação diferente da primeira realidade da sua vida.

Um primeiro grupo será daqueles que hoje se encontram muito mais orientados por outros estilos de vida humana. Olham para o "passado salesiano" e até o renegam implícita ou explicitamente. Amargamente (e é uma pena) ou sem amargura (coisa saudável). Esses diriam assim, diante da proposta dos Ex-alunos: Estamos noutra. Deixem-nos em paz.

Um segundo grupo seria daqueles que hoje se sentem satisfeitos com seu passado, reconhecem que o que hoje são devem muito a ele, continuam a apreciar o que viveram, mas encontram outras maneiras mais convincentes de vida humana, e acham que não tem sentido engajar-se hoje em reviver ou reforçar elos com aquilo que é típico da proposta salesiana de ser homem, cristão, educador. Os salesianos teriam de dizer, tranquila e, até, jubilosamente, para eles: Que bom, foi para isso que trabalhamos. A vida é rica demais, para caber em um único estilo.

Um terceiro grupo seria daqueles que hoje, tendo sido formados no estilo de vida salesiana, sentem-no, até hoje, como marca importante, para o seu ser humano. Vêem, nele, possibilidade de engajamento histórico, hoje, quando a maior parte das pessoas se vê como naus sem rumo, num mar superagitado. É esse ex-aluno, que podemos dizer pertence à grande família salesiana, a qual está ou se estende para além dos dois institutos religiosos: Salesianos e Filhas de Maria Auxiliadora. São eles e elas, ex-alunos e ex-alunas, que realizam, com o próprio estilo de vida e com uma atividade que pode até ser programada e acompanhada, aquilo que é específico da proposta de vida salesiana: educar de uma certa maneira própria ou, usando outra linguagem, segundo o carisma salesiano. Educar, porém, não significa primordialmente atividade escolar. Educar é cuidar da humanidade do homem, e pode dar-se através de várias maneiras e em instâncias diversificadas da vida. Nesse sentido os ex-alunos são presença salesiana, onde quer que estejam e atuem.

A vantagem desse manter-se institucionalmente ligado à Família Salesiana é, para os ex-alunos, o fato de se encontrar em relação com um grupo que se propõe estar atento às grandes orientações para a existência humana, o que muitas vezes não é possível quando vivemos imersos em tarefas múltiplas, da luta para viver. Vantagem também é para os Salesianos o intercâmbio com seus ex-alunos. Poderão receber deles e delas a contraprova eloquente do valor e dos limites do seu operar; poderão concretizar melhor suas propostas, receber críticas de quem, lá, na hora de colocar a mão no arado, sente a dureza do chão que lavra.

Ex-alunos e ex-alunas, o segundo congresso inspetorial, em abril de 2013, visa a uma tomada de consciência maior e mais acurada dessas possibilidades.

Até logo,

Tiago Lara.

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